Uma das coisas mais cruéis de se envelhecer não é descobrir que aquelas coisas que fazíamos aos dezessete anos só conseguimos com auxílio de uma enfermeira ou com drogas especiais. Ou que aquele reflexo no espelho não é da sua mãe ou do seu avô, que aquela menininha loira de olhos azuis que sentava duas carteiras à sua frente, hoje é uma matrona, com dez filhos e um neto chinês. Ou ainda se pegar tendo um deja vu numa conversa com sua filha. As palavras são as mesmas, os personagens é que mudaram.
A coisa mais cruel de envelhecer é ver que os seus professores que ainda vivem e estão presentes na sua memória já partiram. Não só aqueles de sua sala de aula, mas aqueles que de alguma forma ajudaram a moldar o seu caráter, a forma de olhar para o cotidiano, o teu gosto por música, arte ou literatura, o seu senso de humor.
Descanse em paz, Glauco.
Tags: das coisas, dia, filha, filhos, humor, literatura, música
Belíssimo texto, Zander!
A morte daqueles que moldaram nosso olhar, nossos pensamentos e nossa forma de encarar o mundo é, sem dúvida, a maior perda que podemos ter em vida.
(Em tempo: eu não sou a viúva do Glauco)
Bjos.,
Bea
lástima.
sim.
O pior de envelhecer… bom, poucas pessoas que eu amo partiram… mas a esperiência mais dolorida e ainda não superada, foi quando uma criança, que eu vi nascer, aprender a falarm a andar… conhecia varios tipos de sorrisos… ficar doente e partir… deixando unumeras pessoas que a amavam, sem resposta nem consolo.
A morte sempre deixa um vazio, as vezes vc encontra esse vazio logo, as vezes não.
Escreve como ninguém, seus textos me enfurecem de comoção.
Parabéns.