onde o autor discorre sobre as técnicas e estratégias
de garantir o coito certeiro com as damas em geral.
fase 1. boca
Muitos falam que o beijo é a ante-sala do sexo. Nada mais falso. O beijo é muito mais e maior que o sexo em si. Na verdade, há mais intimidade num beijo -ainda que dado numa micareta, ainda que não se saiba o nome de quem se beijou- que no sexo anal, por exemplo. O beijo é o caminho da expressão da alma. É a fala de quem deseja, de quem quer comer o outro.
Literalmente.
O cavalheiro que sabe realizar a sala, que prepara o terreno para a ação intencionada, prepara a dama para o devir lascivo. No beijo, se tem o gozo antes do gozo, a vontade expressa e explícita em hálitos trocados. É a lingerie antes da nudez.
E nisso há muito mais significado e desejo que dois corpos suando em ritmo cadenciado.
O cavalheiro que sabe preparar o terreno para o coito ininterrupto que se anuncia, promete no beijar que tirará o fôlego da dama até que ela esqueça que está em algum lugar. Em qualquer lugar, pois a tontura que toma conta da moça -parte pela falta de oxigenação, parte por conta da libido que é despertada- atiça tudo aquilo que porventura estava pronto para escapar, os pêlos de ambos se ouriçam, os ferormônios são liberados e a umidade relativa do ar aumenta.
Ao menos entre o casal.
fase 2. encoxada
Descrição: o cavalheiro põe a mão direita enlaçando a cintura da dama. Posiciona a sua perna direita pra fora da dama e a perna esquerda por dentro, entre as coxas da moça. É uma dança invertida. Uma dança errada. Enquanto isso, a mão esquerda segura a nuca e pega a base do couro cabeludo com firmeza, mas sem machucar. Sem machucar, por enquanto.
Ainda não é hora.
Conseqüência: a dama esquece que há chão e a perna esquerda do cavalheiro -simulacro de membro- vira o seu universo. Torna-se seu centro e sustentáculo primeiro. É o encosto simulado do sexo insinuado que desmonta qualquer máscara de resistência. É o anúncio -prenúncio- daquilo que espera o casal noite afora.
fase 3. o espaço entre os dois.
Apesar de ser um pós-coito, não existe preparação pré-próximo-coito melhor que o desprezo, a distância, o não-te-ligo. Daí o cavalheiro enlouquece a dama em banho-maria. Ela sobe pelas paredes, se enfurece, odeia os homens, o mundo e o sexo e te agarra com ódio quando do retorno e acena para a lembrança do que houve. É a ausência que torna a lembrança indelével. Ninguém se lembra do passado quando ele é presente.
Daí é só beijo, encoxada e a noite dividida novamente
Textos relacionados
Tags: aprendendo a beijar, beijo em micareta, casa, coito certo, como conquistar uma mulher, dança, hora, passado, sexo, sexo anal, sexo seguro



Muito interessante e didático, prof. Zander.
A respeito:
http://fabianaconti.blogspot.com/2008/12/o-beijo.html
Beijos!
“É a lingerie antes da nudez.”
Zander..
Reparei que já twittei esse texto pelo menos umas 3 vezes. Gosto tanto..
;*
your line of thinking is pure shallowness
Essa descrição do beijo foi fantástica!
A fase 3 é fundamental para a garantir o renascimento do ciclo.
Este post foi poético.
Mestre!
O decano do Conselho Ancião demonstra sua sapiência e experiência nos devires carnais.
F-A-B-U-L-O-S-O!
Esse eu precisei comentar, mesmo que apenas com uma palavra.
Beijo, beijo.