Dos inícios que flertam com o fim
Uma amiga me perguntou como eu conseguia advinhar quanto tempo durava um relacionamento – meus e dos outros – com alguma precisão. Obviamente eu não sou onisciente e nem tenho uma taxa de acerto razoavelmente alta, cientificamente alta, mas como tudo que envolve o sentimento, os acertos contam mais que os erros.
Daí eu expliquei que todo relacionamento tem uma “matemática”. Já escrevi sobre isso antes e acho que consegui sintetizar isso hoje. As regras são simples e são cinco ou seis.
A regra primeira diz que é necessário ter algo em comum. E esse algo tem de ser dentro de casa. Gostar de shows, filmes, bares e amigos e atividades na rua é legal, mas sob um teto a coisa muda de figura. Se os relacionantes não conseguem fazer um bocado de nada juntos, diminui-se o tempo do relacionamento.
A regra segunda diz que eles têm de ter alguma discordância. Mas daquelas brabas, que cause brigas, tapas na cara ou ódio eterno. É no atrito que se aprende a negociar os espaços, a ceder, a treinar a tolerância. Mas ambos têm de ter isso ou o lado cedente acaba cansando.
A regra terceira diz que eles precsiam achar que o outro é melhor que eles em algo ou em tudo. Mas tem de ser mútuo. A admiração pelo outro é o que impulsiona o dia-a-dia. Caso contrário, o outro vira objeto de escárnio e qualquer opção fora do relacionamento acaba valendo mais a pena. Novamente ambos precisam achar que o outro é melhor, senão o caldo desanda.
A regra quarta diz que ambos têm de ter um nível sócio-econônico-cultural próximo um do outro. Mais cultural, sócio ou econômico dependendo da índole de cada um. Nada contra uma pessoa ser sustentada mental, social ou economicamente pela outra, mas há de ter troca entre os relacionantes. Já conheci casais perfeitos que sucumbiram à dureza, à burrice ou ao isolamento social. Não nessa ordem.
A regra quinta diz todas essas regras anteriores devem e serão quebradas em algum momento e nunca serão sempre observadas durante os relacionamentos que tivermos pela vida.
E a sexta, a derradeira e única absoluta, é que só se entra num relacionamento sabendo e esperando que um dia ele acabe. É a única garantia de que será infinito, como diria o poetinha.



November 2nd, 2009 at 23:35
Na mosca, Zander. Bzz.
November 3rd, 2009 at 00:41
Taí; gostei. Nem fatalista demias, sarcasminho na dose certa. Nham. E é isso mesmo. Ao menos pra mim, só de pensar ‘pra sempre’ já tenho calafrios.
Besos, querido!
November 3rd, 2009 at 10:32
cacete. soco no estômago total. adorei.
November 3rd, 2009 at 10:54
Ótimo texto, realmente perfeito, só para acrescentar algo uma frase, “que seja eterno enquanto dure” acho que isso resume relacionamentos,
PS.: amor te amo viu…
November 3rd, 2009 at 12:35
Excelente, nem tenho palavras, adorei o artigo, falou e disse :-)
November 3rd, 2009 at 16:19
Cara, um dos melhores – e mais sábios – textos que eu li na internet. É o tipo de texto que TODO MUNDO deveria ler.
Parabéns!
November 3rd, 2009 at 16:30
Fantástico! Sou casada há quase 22 anos e acho que já passei pela maioria das crises que passam os casais, e sua síntese é perfeita.
November 3rd, 2009 at 16:31
Vi seu texto por indicação do Rob no Twitter. Mt bom. E verdadeiro.
November 3rd, 2009 at 16:31
Simplesmente perfeito. Sintetizou coisas nas quais sempre acreditei mas nunca consegui resumir
November 3rd, 2009 at 16:50
Sem dúvida todos deveriam ler e quem sabe tentar se encaixar…
November 3rd, 2009 at 16:54
“Ter algo em comum dentro de casa” é a regra mais perfeita, fazer um bocado de nada juntos… É isso!
November 3rd, 2009 at 17:21
Só uma vez pensei num “para sempre”. Foi o relacionamento mais curto da minha vida.
Ótimo texto.
November 3rd, 2009 at 17:23
Gênio.
November 3rd, 2009 at 17:26
é, fiquei lendo e relendo a primeira regra. que coisa linda e TÃO importante. Conseguir fazer um bocado de nada juntos é prova irrefutável de que o casal foi feito um pro outro. Ao menos enquanto durar.
November 3rd, 2009 at 17:33
Excelente dica do Inagaki.
Parabéns pelo texto Zander!
Nunca parei pra pensar nesse “algo em comum dentro de casa”, e olhe que nunca é uma palavra muito forte, mas é a única que posso usar, nunca pensei nisso mesmo.
Obrigada pela lição…vou agracer o o Inagaki pela dica do texto.
November 3rd, 2009 at 17:40
Isso me fez lembrar da regra da robótica de asimov para o Livro “Eu, Robo”. Acho que se pensar um pouco mais, vamos descobrir que somos robos dos nossos sentimentos, baseando neste cenário. É isso…
November 3rd, 2009 at 18:01
Aquele twitter realmente serve pra alguma coisa. Boa indicação do Inagaki.
November 3rd, 2009 at 18:02
Bingo! Agora é transformar em cartilha e sair distribuindo para aquelas meninas que tatuam o nome do namorado na 1ª semana…
November 3rd, 2009 at 18:33
Que doidera… meu últimos relacionamentos sucumbiram devido ao excesso de “nada juntos”… pensando bem o ideal é o casal equilíbrar bem a vida social e a convivência mútua dentro de casa, sem polarizar demais.
November 3rd, 2009 at 20:21
Adorei! Dou fé e assino embaixo, por esperança e experiência.
November 3rd, 2009 at 21:13
…eu queria poder te comprovar ponto a ponto, mas acho que nem precisa.
Muita coisa. ;)
November 3rd, 2009 at 21:14
Aí, Zander, é isso mesmo… Concordo com você totalmente, mesmo achando que NEM sempre você está certo! (hehehe)
Bjs, Fabiana
November 4th, 2009 at 01:27
You are god man! Ótimo texto, e creio que seja verdade também (caberia uma análise estatística!!)
November 4th, 2009 at 13:29
Gostei muito da terceira e da sexta! Faz muito sentido… :)
November 4th, 2009 at 15:15
[...] Assim, segue as 6 regras para um bom relacionamento: (veja o texto original em: http://casadozander.com/textos/dos-inicios-que-flertam-com-o-fim/) [...]
November 4th, 2009 at 16:31
Por onde eu andava que nunca andei por aqui?…
November 4th, 2009 at 23:23
[...] ainda continuamos aqui, como nos outros dias, com os pedaços sendo jogados e remontados. As portas sendo batidas, as [...]