Amanhã é dezenove de dezembro e, se minhas contas não estão erradas, faltam apenas doze dias para a passagem do ano.
Para muitos, é momento de confraternização, de alegria, festa e farra, de viajar, estar com a família e com os amigos queridos. Para outros é a hora de renovar esperanças, energias, promessas não cumpridas, fazer novas promessas, planejar aquilo que será feito.
Dia trinta e um de dezembro é, de fato, apenas a véspera do dia primeiro de janeiro.
E só isso.
O calendário vira, adiciona-se um número ao ano e continua-se vivendo da mesma maneira que antes. As promessas são esquecidas no dia dez de fevereiro, as energias acabam na porta de saída do carnaval e o trabalho, os estudos, as procuras pessoais continuam prosseguindo da mesma forma.
Pouco muda.
Ano passado resolvi fazer apenas uma promessa. Ser uma pessoa melhor em todo e qualquer aspecto da minha vida, apenas uma pessoa melhor. Para cada passo dado, viraria para trás e diria “Putz! Que passo duca!” e obviamente não cumpri isso plenamente: fiz coisas das quais me arrependi e desarrependi logo depois; agi errado com uns e mais errado com outros; cresci muito em pouco tempo para me descobrir infantil, imaturo e imbecil logo em seguida; ganhei muito dinheiro para perder em bobagens que me duraravam apenas um sorriso de minutos.
Mas nunca, nunca mesmo, posso me referir a dois mil e cinco como um ano ruim.
Não ouso dizer que aprendi, pois o ser humano é notório pela capacidade inesgotável de cometer os mesmos erros sempre, mas afirmo que tenho mais histórias para contar em mesas de bar. Histórias patéticas, heróicas, eróticas, exóticas e mais.
E que conheci um pouco mais desse desconhecido que mora aqui dentro de mim.
Então desejo a todos que tudo que será planejado em 2006 seja invertido, deslocado. Que se apresente de novas maneiras, que te surpreenda a ponto de você olhar para cada ação sua e não se reconheça de imediato mas que realize que você se tornou mais humano em cada ação.
Pois o mundo está sedento de humanidade.
Bom 2006 a todos.
[...] Já quis que o ano fosse mais humano que nunca, que tivesse 366 dias, que nada acontecesse, que eu mudasse por dentro e que eu me tornasse uma pessoa [...]