Acordar é sempre uma aventura. Nunca se sabe o que o dia reserva para ti. Em alguns, os augúrios são auspiciosos: acordar meia hora antes do despertador (ou computador, ou celular, ou a obra do vizinho) tocar; descobrir-se atrasado, mas verificar que teu chefe chegou bem depois de ti; ir almoçar com uma pessoa querida que veio te dar uma notícia ruim, mas dar tempo para caminhar sob o céu azul e o sol outonal em São Paulo; receber uma ligação com um sotaque impossível e ver que terá de procurar seu passaporte em breve, muito breve; confirmar que o imposto de renda será mais amigo esse ano e há uma chance de ter uma devolução mais gordinha, ainda que injusta.
Em outros, o sorriso do teu colega pode vir torto; aquelas pessoas que te prometiam uma companhia dizem que não poderão papear; os emails vêm lacônicos e com montes de pepinos nos silêncios que eles deixam a entender; a festa que você contava em ir perde a graça.
E você descobre que alguém que te ama muito está triste porque você não dá a devida a atenção.
E não é a primeira vez.
Você escreve muito lindo.