pensamentos esparsos de uma mente desconexa
11 jul 2008
publicado na Tribuna da Imprensa
Hoje eu li em um blogue de uma amiga (http://simsenhoras.blogspot.com/2008/07/quero-namorar-o-wall-e.html) que ela não vê mais as pessoas simplesmente dando as mãos por aí. Que no arsenal da conquista não se usa mais o singelo gesto de procurar a mão da menina e segurar os dedos entre os dedos num enlace quase que obsceno, mas mais singelo que os olhares que enrubescem. Que não vê mais o gesto em si mesmo gerando o momento mágico.
Eu sou uma criatura de “grude”. Gosto de tocar, abraçar de dar beijos e tal em quem tenho carinho e afeto. Obviamente já passei da fase adolescente onde os futuros adultos arrumam n desculpas para se jogar uns em cima dos outros ou se amontoarem pelos cantos. Algo a ver com os hormônios em ebulição ou uma desculpa esfarrapada para pré-sexo. Dito isto, acho que poderão entender melhor o caso que tenho para contar.
Pois bem.
Um dia, numa das minhas idas profissionais à cidade do dinheiro e à terra da fortuna, eu saí com uma conhecida para podermos materializar o nosso conhecimento mútuo. (Não me entendam mal! A frase anterior é só uma forma pernóstica de dizer que fui conhecer de fato uma pessoa que conhecia pela Internet. É que às vezes conheço mais de fato quem nunca vi de perto. E às vezes conheço menos de perto quem já vi de fato. Fato.) Fomos a uma pizzaria numa praça que só recentemente voltei – e gravei o nome. E obviamente me esqueci novamente, a ponto de não ter sequer referência para citar nessa crônica de quarenta linhas.
A pizzaria era modernosa, com uma decoração bem interessante. Como bom carioca, sempre achei que pizza boa era a que era servida rapidamente. Ali fui introduzido à grande arte de ser fazer Pizzas em Sampa.
Antes mesmo de fazermos o pedido, senti que havia algo no ar. Uma atração definitiva. Da minha parte, claro, por minha amiga. As pizzas não tinham nada a ver com a história. A moça era bonita, charmosa, interessante mesmo. E tinha bom gosto. Afinal de contas, sabia escolher a companhia para o jantar.
Durante o evento inteiro eu não conseguia desgrudar os olhos dos olhos da moça e “dava um jeito” de fazer as mãos delas encontrarem as minhas. Quando ocorria, parecia que eu estava segurando o braço de uma cadeira ou apenas uma maçaneta. Nada. Nem uma fisgada, nem uma alteração na voz da moça. Nadica de nada. Um suspiro ou uma pausa ao menos? Não.
Obviamente achei que não tinha logrado sucesso e tal. Mas são coisas da vida. Se todas as mulheres desejassem todos os homens (e vice-versa), não haveria agenda que desse jeito para tanta fornicação. Ou romance. Fica no teu critério. Fato é que não funcionaria de forma alguma. Há de se ter a rejeição por bem da humanidade.
Mas, como a vida sempre surpreende e desconstrói as primeiras impressões, na saída, a moça me permite um beijo. Obviamente voltei pro Rio sem entender coisa alguma.
Quando mudei em definitivo para Sampalândia, eu entendi que havia um tipo de gente que não se toca, a não ser na intimidade. Que um abraço pode ser sinal de posse e que um pegar em mãos pode ser ostensivo, declaratório e íntimo demais para duas pessoas que apenas se flertam.
Da pior forma, entendi que esse não era o meu tipo de gente.
9 comentários for "Sobre a arte de dar as mãos"
“É que às vezes conheço mais de fato quem nunca vi de perto. E às vezes conheço menos de perto quem já vi de fato. Fato.”
Amei isso.
Adorei o texto.
Não costumo ler nenhum blog ultimamente, mas acho que vou passar mais por aqui. =)
Bom saber que vc lê “entreatos”… sei lá…eu sempre acho que ninguém lê aquela budega..rs..
Vc ta morando em SP né?! Eu to em SP esse findi.
E sim eu tava na FLIP sabado passado! Mas nem te vi…
Beijos!
Mas é um gentleman! hehehehe
Andavamos lado a lado, num caminho sem fim, numa conversa intensa, riamos e volta e meia tocava minha mão com leveza e desejo, nessa hora parei de respirar, perdi o folego. Não me esquecerei desses momentos….
Concordo com vc tem certo tipo gente que não é certa pra gente.
Pô, Zander, não quero jogar farofa no seu ventilador, mas …e se ela não estivesse realmente interessada?
Pode ser que o beijo seja uma finalização burocrática do date, sei lá….
beijos.
Essa gente me dá medo, a mim e a toda minha baianidade chameguenta :)
“Arsenal da conquista”? Não vejo isso faz tempo. Parece que os relacionamentos entraram também na onda do fast-food (COM duplo sentido). O beijo deixou de ter adjetivos e passou a ter numerais.
Interessante o seu relato. Como é difícil imaginar que o outro seja tão diferente de nós, não?
Nuit, pena que nos desencontramos! Te vi na Flip e até tirei uma foto da tua amiga. Tá num post mais atrás.
Beta, opa! Gentleman, nem tanto. Mas gosto do toque. Da pele. Do gosto. E não precisa ter intenção sexual nisso.
Chris, pois é. Pena que eu custei para entender isso.
Vivien, como já te disse, não foi um beijo casto. Tampouco parou ali. Mas falar mais que isso é negar o elogio da Beta. Beijo.
Morena, eu bem sei disso, minha flor. Bem sei.
Viva, na verdade eu conto com a diferença do outro. Espero que ele o seja. Não nasci para ser Narciso. Não mesmo. Mas há limites para tudo!
Andar de mãos dadas é bom demais.
E pegar (no sentido de tocar e não dessa pegação
q anda rolando por aí hehe) quem se gosta tb.
Saudades de vc, moço.
bjos!
Interessante… Também gosto do contato, da mão na mão, olhos nos olhos, mesmo nas conversas mais banais, sem segundas intenções… E já percebi que, para alguns isso é levado como se eu tivesse terceiras intenções… Será que é mal de paulista?????
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