alguns laços nos unem ao mundo,
às pessoas que queremos bem,
às pessoas que amamos,
às pessoas que não queremos.

alguns laços são como grilhões,
rijos,
pesados,
mas que são arrastados com prazer.

outros são como fio de seda,
silfídicos,
argênteos,
que se emaranham no corpo e não se desfazem facilmente.

mas hoje me pego pensando nos
laços que faço na vida

e me vejo trinta anos à frente,
morto
de uma forma estúpida e irreversível.

algus amigos irão (os que sobreviverem)
alguns credores chorarão.
e nçao sei se aquela que foi
a razão do meu viver irá me enterrar.

a laço que teço é tão frágil assim?

o que faz uma filha não enterrar o pai?