Aí ele abriu a porta da sala. Encontrou tudo como estava antes: as cadeiras que compunham um conjunto harmômico com o tapete de centro, a mesa de um conjunto quase que por bem pouco totalmente diferente de tudo o mais da casa, o sofá inócuo, mas confortável para as sonecas ou os afazeres passionais solitários ou não, o som montado com anos de pesquisa de preço e custo-benefício, a televisão de plasma que custava metade de um apartamento, o DVD, ganho na assinatura de jornal (o dinheiro pra os “brinquedos” acabara na TV). Os quadros estavam todos pendurados em suas respectivas paredes, fazendo par com os espelhos que os duplicavam, aumentando as “presenças” na sala, os livros esteticamente bagunçados na mesa de centro (alguns) e no canto, no cesto de leitura (a maioria), revistas misturadas aos livros.
As cortinas emolduravam as janelas de jacarandá que foram herança do antigo morador (gentil ele, não?) que também rebaixara o teto com gesso e embutira toda a fiação em tubos de PVC semi-aparentes, compostos organicamente com o restante da sala.
A decoração era impecável, o ambiente perfeito, a temperatura estava correta mais pra fria que quente, como ditava a ocasião e o vinho tinto à mesa.
Os pratos já estavam servidos. A salada arrumada, de rúcula, tomates secos, muzzarella de búfula, roquefort, goda e bola, alface roxa, vinagre balsâmico, sal e pimenta do reino preta, moída na hora, como deveria ser.
Duas garrafas de vinho tinto, uma de água mineral, sem gás. Gelo no balde, não nos copos. Talheres de aço inox (prata é cara e demodê). Luz indireta, agradável e confortável, romântica até.
Respirou fundo. Ligou para o disk-fêmea e pediu um romance por duas horas. Sim, no cartão. Dá para fazer em três vezes?
Tags: aleatórios, casa, hora, livro, livros, oração, romance, sol
E aí, sumido?
Passei para te mandar um beijo!
OI!! Gostei do conto…. num e tao chatinho assim… parece ate vc falando de vc mesmo…rsrsrs
bjus