Eu não me encontro, perco meus dias a vagar,
Só tenho o conforto dos meus sonhos
O pesar de minhas pálpebras
Hoje, não tenho cama.
Não por desprezo do outro, mas por não poder ceder à pequena morte.
Tenho que vencer o cansaço, a dor que assola o ventre e a febre que se anuncia.
Há muito que fazer.
Mas a força se esvai e me rendo.
Curvo em mim mesmo e fecho os olhos.
O passado que retorna incomoda e assa a alma, não tolero a intromissão na intimidade.
O fel vem à boca e, súbito, anseio a rua, deve estar mais fresco na calçada.
Olho os olhos pequenos e ainda sem culpas, me vergo ante à responsabilidade.
Ponho para fora de mim aquilo que deveria ser meu, mas, apesar dos esforços, nunca.
Não há culpa. E eis que atravesso a grande água!
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